O homem é o único animal que tem sonhos e ambições e elabora preconceitos para se diferenciar, e entre eles o pior: “para os superiores tudo, para os inferiores a lei”.
Os demais animais do planeta não têm preconceitos nos seus relacionamentos, inclusive os predadores. Um leão, no seu trabalho de trazer alimento para a família, abate uma zebra e o outro um coelhinho ou qualquer outro bichinho.
E os dois continuam sendo os reis da floresta e respeitados igualmente pelos seus pares.
O gato, que também é predador, deixa um tigre em paz, não por respeito ao parentesco, mas porque sabe que há grande probabilidade de não ser bem sucedido na tentativa de saciar a sua vontade de comer. Não há ilusão nesta decisão.
E o tigrão sabe que perto de um gato pode até tirar um cochilo, sem correr o risco de acordar no além. O vice-versa neste caso não se aplica.
O gato sabe que tem que ficar sempre esbelto e esperto, pois se desleixar nem chegará a ficar gordinho. Vira petisco, mesmo magrinho.
É a tal “lei da selva entre espécies” estabelecida pela natureza.
Todos os animais, em obediência a esta lei, sabem contra quem e quando estão prontos para se aventurar. E quando é recomendável “dar no pé”.
E determina também nunca “marcar bobeira”. Quem a desobedece, desaparece.
Todos conhecem esta realidade.
Mas nenhum animal, nem mesmo o predador, têm a pretensão de ser melhor que os seus irmãos para dominar a tribo e levar vantagens. Prevalecem os direitos iguais na irmandade. O líder só se preocupa com o bem estar de todos.
O homem foi o único animal a questionar esta lei e subverte-la.
Com a subversão da lei natural, o homem adquiriu a capacidade de matar por esporte, inclusive seus irmãos, e de simular atitudes, entre elas as dos animais, fazendo-se passar por um carneirinho, uma pantera ou uma hiena.
As fábulas ilustram isto com grande propriedade.
E adquiriu também a capacidade de menosprezar os seus semelhantes e de rir e ter pena de si mesmo.
Nesta realidade você se preparou para ser um gatinho ou um tigrão?
Se foi para ser um bichano, não adianta tingir o pelo com listas, e ficar perto dos grandes felinos. Em breve eles perceberão que você está demorando muito para crescer, e entre eles os adultos não desenvolvidos são naturalmente abandonados à própria sorte, pois além de consumirem uma parte do conquistado, não contribuem nas caçadas, fato permitido somente aos filhotes. São enormes as suas chances de levar patada na orelha o tempo todo para ver se desenvolve as habilidades necessárias à comunidade. E também é prudente não tentar se impor imitando um rugido. O miado poderá confirmar a desconfiança de que você é um gatinho tonto e ser servido de lanche da tarde dos descendentes genuínos.
Nos dias de hoje, se você quer ficar no meio dos grandes predadores, prepare-se verdadeiramente para ser um deles. Se a tua felicidade não está no confronto selvagem entre animais que apreciam o sangue, crie asas e ganhe os céus. Só tome cuidado com os gaviões. Se grandes alturas te dão tontura, tente as águas dos rios ou mares. Mas antes prepare estratégias para fugir das piranhas e tubarões.
Ou se prepare para ser um deles.
Tudo é uma escolha e preparação adequada. Tua. A liberdade de desejar e sonhar também.
Você pode inclusive escolher ser um gatinho doméstico e de vez em quando assustar algum ratinho inconveniente para em troca receber uma porção diária de ração.
Só você sabe onde está a sua realização.
É possível ser feliz em um espaço amplo, como uma fazenda, ou em um apartamento pequeno parecido com uma gaiola.
A sabedoria está em assumir e fazer o que se gosta, dentro das regras de convívio social, e não em fazer o que os outros gostariam que fizesse. Só não pode ser ingênuo e tingir o seu pelo com listas. É possível ser feliz liderando ou sendo liderado.
O interessante é que todos os outros animais já sabem disto.
Mas o mundo seria diferente, ideal, se o homem assimilasse unicamente os exemplos dos animais vegetarianos, não necessariamente só os dos cavalos, antas ou veadinhos saltitantes. Girafas, búfalos e elefantes, entre outros, também podem servir de referência. Com alguns deles nem os maiores predadores se metem a besta.
É a analogia ideal porque todos os seres vegetarianos convivem em harmonia, não importando a espécie ou origem, o tamanho e a forma da cabeça e a cor do pelo. Acreditam que no mundo há espaço, água e capim para todos. E se faltar, faltará para todos igualmente. Todos eles respeitam as diferenças e, mesmo que inconscientemente, têm isto como direito básico universal, que leva à sustentabilidade da própria natureza.
Só não entendem porque os predadores não apreciam a vegetação deliciosa e abundante e porque os humanos insistem em imita-los no seu cotidiano.
A evolução algum dia nos levará a este ideal.
Esta esperança é reforçada porque não se trata da evolução biológica, que é muito lenta para os nossos padrões de medição, para o nosso tempo de vida, e sim da evolução intelectual, que é a incorporação de valores através da educação, e possível de ser alcançada em pouco tempo ou poucas gerações.
Não está na hora de migrar da lei da selva subvertida para a lei do humanismo?
Precisamos assumir isto como o objetivo comum, não nos discursos, mas na prática.
Os líderes com visão empresarial, e também humanitária, que consideram os seus empreendimentos mais do que negócios e sabem administrar processos de mudanças, já iniciaram, embora timidamente, esta migração. E quem tem a pretensão de se realizar na carreira deverá tomar a iniciativa de participar e dar a sua contribuição também neste projeto. Com toda paixão. No mundo que se desenha, só a competência técnica não será suficiente. Se não para você, assim o será para os teus filhos. Prepare-se e prepare-os. Parceria é a palavra-chave que abre a porta para a nova visão do futuro.
Vladimir Maleh
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
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