24 de setembro de 2011

A AVALIAÇÃO DA IMAGEM

 
Você está buscando conhecer a imagem real
que tem na empresa e no mercado?

Vou contar um fato que aconteceu comigo quando tinha 25 anos e fui professor em uma escola técnica de 2º grau.

Por ser o mais jovem entre os professores, pouca coisa mais velho que os alunos, e com uma motivação grande para me dar bem, e a exemplo de alguns professores que tive, conversava e brincava muito com os alunos fora da sala de aula. Éramos companheiros. Na aula a coisa era séria. Os alunos que apresentavam problemas para os outros professores não atrapalhavam as minhas aulas.
E eu estava feliz com o trabalho, o meu desempenho e a minha popularidade.

No fim do ano letivo descobri que dar as mesmas aulas no ano seguinte não me traria satisfação. Valeu a experiência. Fui trabalhar no Metrô de São Paulo, que estava iniciando.

Dois anos depois estava na nossa sala dos supervisores quando entraram dois ex-alunos meus que terminaram o curso e foram aprovados no exame de seleção para recém-formados.
Fiquei feliz em revê-los e eles demonstraram o mesmo. Não foram alocados na minha área, mas na do meu colega.

Um mês depois este colega me procurou e perguntou como foi a minha experiência como professor. Eu lhe contei do meu entrosamento com os alunos, o companheirismo, a seriedade em sala de aula, etc...

Aí ele me confidenciou o que eles lhe contaram. Disseram que quando me viram na sala, imediatamente pensaram: “estamos ferrados, caímos nas mãos justo deste f.d.p.”. Deram graças a Deus que foram parar na outra supervisão.

A imagem que eu tinha sobre o meu comportamento em sala de aula não era a mesma que alguns (ou podem ser muitos - não dá para saber) tinham. Para estes, a minha seriedade era considerada “cobrança excessiva”.

A partir deste momento comecei a me preocupar com a imagem real, a buscar um feedback, evitando, até onde possível, ser surpreendido novamente. Mas continuo me surpreendendo... O aprendizado é contínuo. As interpretações das atitudes, ações e discursos costumam ser diferentes, principalmente em função das experiências e interesses individuais dos envolvidos. Podem não ter muito peso, mas é bom conhecê-las.

Ao longo da minha vida profissional e por que não dizer da pessoal, tenho encontrado muitas e muitas experiências similares.

A auto-avaliação é sempre mais condescendente, principalmente porque este avaliador tem realmente todas as informações sobre o avaliado (por sinal, ele mesmo) para emitir o julgamento “imparcial”. E talvez este julgamento pudesse ser o definitivo se não existissem pessoas ao seu redor com quem ele tem que interagir, e que têm todo o direito de pensar e avaliar a sua imagem de forma diferente.

Entre estas podem estar pessoas que tem a atribuição de avaliar a contribuição do indivíduo para o objetivo da empresa, e estas opiniões têm peso significativo na evolução de uma carreira. Mas também existe a possibilidade de eles estarem enganados. Vale a pena refletir sobre isto.

Então, buscar uma opinião, mesmo que a resposta possa não ser a mais agradável, é essencial para o gerenciamento de uma carreira. A realidade é sempre melhor que uma ilusão quando decisões precisam ser tomadas, e mais ainda quando estas decisões terão grandes reflexos na vida futura do indivíduo.

Outro exemplo me foi contado por um amigo. Reproduzo as palavras dele.
“A minha empresa adquiriu outra e eu fui enviado lá para fazer a sinergia por uns meses. Após este período a empresa matriz resolveu me efetivar nesta nova empresa e eu aceitei a função de Gerente de uma área estratégica.”

“Fui um choque para os demais gerentes, cortei gastos, mordomias, mudei contratos, troquei fornecedores antigos, reduzi os custos e demiti pessoas da minha área que não queriam mudar. A empresa adquirida, que já tinha desempenho razoável, de lá para cá, apresentou resultados ótimos.”

“Muita coisa mudou, o paternalismo sumiu, acabou a tolerância ao desempenho abaixo das expectativas e a quebra de normas sem nenhuma conseqüência.” 

“Quando terminou a fase da absorção, foi feita uma pesquisa interna sobre o clima organizacional. A pesquisa foi iniciada junto a Diretoria e Gerentes de todas as áreas, e a pergunta era “o que você acha que mudou e o que não mudou, onde estão os maiores problemas e como você acha que serão resolvidos”.

“Uma das coisas interessantes foi o cara a cara que fizemos. Nela eu devia dizer aos meus pares o que eu achava bom neles e o que eu achava que “agarrava” ou que estava dificultando mais e vice versa. E assim foi feito com todos os Gerentes e Diretores.”

“Descobri que apesar de ser considerado duro e chato (qualificações que já desconfiava ter junto a este público, entre outras menos nobres), os Gerentes e Diretores com quem troquei informações me disseram que foi duro me engolir, mas achavam que a minha vinda foi ótima, um gerente com cultura diferente da que eles tinham. Que através de mim muita coisa foi mudada para melhor e eles tinham que reconhecer isto.”

Imagino que os demitidos não apreciaram muito as ações deste meu amigo. Talvez este também seja o caso dos ex-alunos meus.

Os dois exemplos comprovam que o programa de avaliação da empresa ou um “feedback” não formal são ferramentas eficazes para se situar, quando utilizadas com sinceridade, seja esta realidade a que permite sonhar mais alto (exemplo do meu amigo) ou obrigue a uma reflexão (meu exemplo).

Quem não aproveita esta visão de terceiros continua se iludindo e com boas chances de se surpreender negativamente em um futuro próximo.

E você, está buscando conhecer a imagem real que tem na empresa e no mercado?

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