Você está buscando conhecer a imagem real
que tem na empresa e no mercado?
Vou contar um fato que aconteceu comigo quando tinha 25 anos e fui professor em uma escola técnica de 2º grau.
Por ser o mais jovem entre os professores, pouca coisa mais velho que os alunos, e com uma motivação grande para me dar bem, e a exemplo de alguns professores que tive, conversava e brincava muito com os alunos fora da sala de aula. Éramos companheiros. Na aula a coisa era séria. Os alunos que apresentavam problemas para os outros professores não atrapalhavam as minhas aulas.
E eu estava feliz com o trabalho, o meu desempenho e a minha popularidade.
No fim do ano letivo descobri que dar as mesmas aulas no ano seguinte não me traria satisfação. Valeu a experiência. Fui trabalhar no Metrô de São Paulo, que estava iniciando.
Dois anos depois estava na nossa sala dos supervisores quando entraram dois ex-alunos meus que terminaram o curso e foram aprovados no exame de seleção para recém-formados.
Fiquei feliz em revê-los e eles demonstraram o mesmo. Não foram alocados na minha área, mas na do meu colega.
Um mês depois este colega me procurou e perguntou como foi a minha experiência como professor. Eu lhe contei do meu entrosamento com os alunos, o companheirismo, a seriedade em sala de aula, etc...
Aí ele me confidenciou o que eles lhe contaram. Disseram que quando me viram na sala, imediatamente pensaram: “estamos ferrados, caímos nas mãos justo deste f.d.p.”. Deram graças a Deus que foram parar na outra supervisão.
A imagem que eu tinha sobre o meu comportamento em sala de aula não era a mesma que alguns (ou podem ser muitos - não dá para saber) tinham. Para estes, a minha seriedade era considerada “cobrança excessiva”.
A partir deste momento comecei a me preocupar com a imagem real, a buscar um feedback, evitando, até onde possível, ser surpreendido novamente. Mas continuo me surpreendendo... O aprendizado é contínuo. As interpretações das atitudes, ações e discursos costumam ser diferentes, principalmente em função das experiências e interesses individuais dos envolvidos. Podem não ter muito peso, mas é bom conhecê-las.
Ao longo da minha vida profissional e por que não dizer da pessoal, tenho encontrado muitas e muitas experiências similares.
A auto-avaliação é sempre mais condescendente, principalmente porque este avaliador tem realmente todas as informações sobre o avaliado (por sinal, ele mesmo) para emitir o julgamento “imparcial”. E talvez este julgamento pudesse ser o definitivo se não existissem pessoas ao seu redor com quem ele tem que interagir, e que têm todo o direito de pensar e avaliar a sua imagem de forma diferente.
Entre estas podem estar pessoas que tem a atribuição de avaliar a contribuição do indivíduo para o objetivo da empresa, e estas opiniões têm peso significativo na evolução de uma carreira. Mas também existe a possibilidade de eles estarem enganados. Vale a pena refletir sobre isto.
Então, buscar uma opinião, mesmo que a resposta possa não ser a mais agradável, é essencial para o gerenciamento de uma carreira. A realidade é sempre melhor que uma ilusão quando decisões precisam ser tomadas, e mais ainda quando estas decisões terão grandes reflexos na vida futura do indivíduo.
Outro exemplo me foi contado por um amigo. Reproduzo as palavras dele.
Outro exemplo me foi contado por um amigo. Reproduzo as palavras dele.
“A minha empresa adquiriu outra e eu fui enviado lá para fazer a sinergia por uns meses. Após este período a empresa matriz resolveu me efetivar nesta nova empresa e eu aceitei a função de Gerente de uma área estratégica.”
“Fui um choque para os demais gerentes, cortei gastos, mordomias, mudei contratos, troquei fornecedores antigos, reduzi os custos e demiti pessoas da minha área que não queriam mudar. A empresa adquirida, que já tinha desempenho razoável, de lá para cá, apresentou resultados ótimos.”
“Muita coisa mudou, o paternalismo sumiu, acabou a tolerância ao desempenho abaixo das expectativas e a quebra de normas sem nenhuma conseqüência.”
“Quando terminou a fase da absorção, foi feita uma pesquisa interna sobre o clima organizacional. A pesquisa foi iniciada junto a Diretoria e Gerentes de todas as áreas, e a pergunta era “o que você acha que mudou e o que não mudou, onde estão os maiores problemas e como você acha que serão resolvidos”.
“Uma das coisas interessantes foi o cara a cara que fizemos. Nela eu devia dizer aos meus pares o que eu achava bom neles e o que eu achava que “agarrava” ou que estava dificultando mais e vice versa. E assim foi feito com todos os Gerentes e Diretores.”
“Descobri que apesar de ser considerado duro e chato (qualificações que já desconfiava ter junto a este público, entre outras menos nobres), os Gerentes e Diretores com quem troquei informações me disseram que foi duro me engolir, mas achavam que a minha vinda foi ótima, um gerente com cultura diferente da que eles tinham. Que através de mim muita coisa foi mudada para melhor e eles tinham que reconhecer isto.”
Imagino que os demitidos não apreciaram muito as ações deste meu amigo. Talvez este também seja o caso dos ex-alunos meus.
Os dois exemplos comprovam que o programa de avaliação da empresa ou um “feedback” não formal são ferramentas eficazes para se situar, quando utilizadas com sinceridade, seja esta realidade a que permite sonhar mais alto (exemplo do meu amigo) ou obrigue a uma reflexão (meu exemplo).
Quem não aproveita esta visão de terceiros continua se iludindo e com boas chances de se surpreender negativamente em um futuro próximo.
E você, está buscando conhecer a imagem real que tem na empresa e no mercado?
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