24 de setembro de 2011

NECAS DE PITIBIRIBAS ou RESPONSABILIDADE SOCIAL

Não esqueça que o teu não é o único na reta.
Os teus parceiros leais seguem a tua liderança.

Meu avô, que era russo, contou que na época da revolução comunista de 1917, quando as coisas começaram a ficar pretas, ou melhor, vermelhas, o general mais graduado chegou ao rei Nicolai e disse com sotaque nordestino russo: “Meu rei, precisamos ceder em alguma coisa para amansar a revolta.”
O rei respondeu em linguajar clássico praticado pela elite detentora do poder de Moscou:
“Nem vem que não tem...”. “Nesta zorra aqui mando eu! E eles não têm força para me derrubar, entendeu? Pau neles!!!”
“Perdoe-me, meu rei”, retrucou o general, “mas após a guerra o mundo todo está mudando”.

Conta meu avô que o rei perdeu a paciência e esbravejou: “NECAS DE PITIBIRIBAS!!!” (expressão criada e usada no Brasil no começo do século 20 e adotada depois pela nobreza do mundo todo, até da Rússia, cujo significado em liguagem politicamente correta era “nem por uma relação sexual e assunto encerrado!”).

Deu no que deu. A relação aconteceu...(mesmo sentido em todos os idiomas, inclusive no russo).
Foram todos pro buraco. Inclusive o general.

O meu avô, que acabara de ser convocado para o serviço militar, teve que dar no pé para salvar o seu intacto. Refiro-me ao seu corpo, franzino e ligeiro.
E assim também foi pro buraco uma possível brilhante carreira militar que se iniciava.

É por causa de um “Necas de Pitibiribas” de um rei inflexível que eu estou aqui, neste paraíso tropical, com meu chinelo de dedo, bermudão surrado e camiseta já meio amarelada pelo tempo do meu glorioso Santão Futebol Clube. Não posso me queixar da vida. Eu vi jogar o melhor ataque de todos os tempos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Até me naturalizei. Agora sou mais um gringo que tem samba nas veias...

Mas meu avô e meus pais tiveram momentos muito difíceis nos países onde moraram, inclusive nos primeiros tempos no Brasil. E o meu avô nunca se conformou com a falta de visão do mandatário que resultou na destruição de tantas vidas da sociedade que liderava.

Por isso, eu nunca repito as palavras do rei (nem com expressões da moda) quando me sugerem alguma mudança na vida pessoal ou no ambiente profissional.
Vai que numa dessas é a manutenção da alma no meu corpo ou a preservação de uma parte vital dele! Refiro-me ao pescoço, que sustenta os meus poucos neurônios ainda sadios.

Aprendi com o exemplo do rei que nem sempre a nossa vontade prevalece. A dele não foi respeitada. Faltou-lhe humildade para avaliar o tamanho do...problema (não vou escrever a palavra que você pensou).
Humilde eu sou.
E procuro cuidar do meu e os dos meus parceiros. Refiro-me ao futuro, nosso e dos nossos herdeiros.

E você, humilde também é? Está aberto a pelo menos ouvir e avaliar as propostas de mudanças ou costuma reagir como o rei Nicolai?
Tenha sempre em conta que o teu não é o único na reta! Assim como o general em relação ao rei, os teus parceiros leais seguem a tua liderança porque acreditam no teu discernimento. As tuas decisões afetam também a vida deles.

Esta é a responsabilidade social que todos devemos assimilar, principalmente os líderes.

Mas se a tua tendência é agir como o rei, posso lhe ensinar como falar o “nem por uma relação sexual” em russo. Aí a semelhança será perfeita. Até no epílogo.


 

0 comentários: